A alucinante velocidade do mundo contemporâneo e sua complexidade — com excesso de desafios e ausência de momentos de paz, de comunhão, de agradecimento, de alegria, de segurança — são responsáveis por verdadeiras epidemias de doenças crônicas, geradas pelo estresse. Basta olhar em volta e constatar pessoas próximas tomando remédios para pressão alta, para controlar o diabetes, para depressão, para dores aqui e ali, para insônia... Uma só medicina, a nossa, ocidental, por mais eficiente que seja (e é a mais eficaz para o corpo físico), não dá conta. Hoje, mais do que em qualquer outra época humana, é imperativo curar os corpos emocional, mental e espiritual — grandes geradores das doenças crônicas, psicossomáticas. Não é por acaso que as medicinas milenares orientais hoje estão se expandindo e sendo reconhecidas em todo mundo — elas dão resultados expressivos na harmonização, equilíbrio e cura das pessoas. Também não é por crenças ingênuas que muitas terapias têm surgido. As chamadas terapias complementares são bastante competentes para tratar os indivíduos.
Aqui, neste espaço, vou falar de várias terapias complementares. E começo pela Medicina Tibetana, na qual utilizo alguns de seus princípios, conceitos e práticas no consultório. Gosto muito dessa milenar medicina. E no mundo atual, ela dá grandes resultados para sintomas crônicos. Concordo, por exemplo, com os lamas e mestres tibetanos quando dizem, com extrema simplicidade, que não existem doenças. Existem sim doentes necessitando de tratamento não só no corpo físico, harmonizando determinado órgão, como também necessitando atacar as causas, quase sempre temas emocionais ou mentais mal digeridos (leia-se também relacionamentos pessoais, profissionais ou afetivos), não harmonizados, não aceitos... O tratamento indicado é uma espécie de blindagem emocional, para nos tornar mais neutros, menos suscetíveis ao que vem de fora e, ao mesmo tempo, mais confiantes.
O corpo não adoece em partes. O fígado, por exemplo, está doente porque a pessoa ficou adoecida com muitas frustrações, com alguma mágoa, com ressentimentos... talvez tenha engolido alguns sapos—e não só comido ou bebido algo que lhe fez mal, como costumamos dizer quando manifestamos algum mal-estar. A harmonização do conjunto gerará paz, cura ao fígado. Tratar só o fígado, o corpo físico, é importante, mas a cura só virá quando se alinhar os corpos físico, emocional, mental e espiritual.
Nos afastamos tanto da natureza (a começar pela nossa própria natureza), que esquecemos que somente a natureza nos cura. Estou convencido — e também as medicinas tibetana, chinesa, hindu e homeopática, entre outras terapias — que tudo pode ser curado porque o corpo se regenera e se recria totalmente quando está em harmonia, em equilíbrio, em paz. Esta é a natureza do corpo. Sou partidário da crença de que doenças incuráveis não existem, especialmente se forem tratadas em suas verdadeiras causas — e em tempo. E as causas podem até ser espirituais, como lembram os mestres tibetanos.
Saúde para a medicina tibetana e chinesa é estar em paz, viver em comunhão, em gratidão e no presente. A ausência continuada de paz interna gera a maioria das doenças crônicas. As pessoas hoje em dia adoecem mais na mente, na alma e depois, só bem depois, sintomas começam a aparecer no corpo físico e, às vezes, com doenças difíceis de reverterem. É necessário neste novo mundo unir forças terapêuticas, agregando outros procedimentos para harmonizar os corpos emocional e mental.
Nos próximos artigos vou mergulhar mais na medicina tibetana e chinesa.
Miguel Filliage
Naturista (CRT 32280), escritor, há quase 20 anos trabalha e é especialista em Medicina Clássica Taoísta e Tibetana, com pós graduação em Psicologia Transpessoal. Emails: miguel@clisf.com.br , miguelfilliage@cciencia.com.br
Nenhum comentário:
Postar um comentário