Miguel Filliage(*)
A medicina ocidental tem, com certeza, os melhores e mais eficientes instrumentos para salvar o paciente dos sintomas manifestados no corpo físico — geralmente através de medicamentos químicos ou de intervenções cirúrgicas. A tradução de Saúde, para esta nossa medicina, é a ausência de sintomas físicos no indivíduo. Para as medicinas orientais, especialmente a chinesa, tibetana e hindu, junto com a ocidental Homeopatia, o sinônimo de saúde é paz. A ausência de paz interna é a grande fonte de onde jorram as doenças consideradas crônicas ou psicossomáticas. Não é por acaso que estamos vivendo atualmente com verdadeiras epidemias de doenças crônicas: o atual mundo, complexo, de mudanças constantes e profundas, deixa poucos momentos para a paz instaurar-se no individuo e proporcionar equilíbrio e harmonia. A vida é pendular. Não dá para ficar o tempo todo para fora. Todos nós, incluindo as plantas e os animais, necessitamos de nutrição, voltar-se para dentro — no caso dos humanos, para elaborar, repensar, acalmar, restabelecer, recuar, meditar, etc —,o outro movimento do pêndulo. Ficar o tempo todo para fora, numa vida fast food, é um convite para o estresse crônico—causador de doenças— instalar-se como posseiro em nosso terreno.
Mais do que em outras épocas humanas, hoje a união das várias medicinas e terapias é fundamental para se conquistar a saúde integral, e não gerar sintomas no físico. O início de qualquer cura começa pela harmonia. O corpo se cura quando o ambiente emocional, mental e espiritual está mais alinhado, vibrando em relativo equilíbrio. Nosso corpo é um maravilhoso e milagroso laboratório, que se recria, se regenera o tempo todo. Nosso estomago, por exemplo, se recria celularmente a cada três meses, assim como nossa pele. E assim são todos os órgãos. O físico, portanto, se cura, se reconstrói, quando seus outros corpos — emocional, mental e espiritual — estão equilibrados.
A medicina Tibetana, por exemplo, vê a doença física, crônica ou não, como conseqüência de desequilíbrios emocionais, metais ou espirituais. E para ela são três os venenos da mente geradores de doenças: o apego, a agressividade e a ignorância. É claro que também reconhece que o ambiente, o estilo de vida e as invasões de vírus e bactérias são causas de doenças. Mesmo assim, porém, muitas delas são derivadas de fissuras emocionais. Por exemplo, a pessoa bebe ou fuma muito, e este estilo de vida pode causar sintomas físicos. Por trás desse estilo de vida, porém, tem desequilíbrio emocional/mental, que faz com que o indivíduo faça determinadas escolhas autodestrutivas.
Estas três palavrinhas/comportamentos — apego, a agressividade e ignorância — abrem grandes universos de possibilidades de doenças e, ao mesmo tempo, de curas. Nessa atual época, de pouco contato com a essência e de muitas vivências externas e consumistas, a cura é muito mais complexa, e precisa envolver outras habilidades. Hoje, médicos, psiquiatras, psicólogos, terapeutas, coaching, floralistas, acupunturistas, xamãs, padres, pastores, entre outros, todos têm contribuições fundamentais na cura ou na melhoria da qualidade de vida física, emocional, mental e espiritual dos que se consideram ou estão doentes.
Nesse novo milênio, precisamos antes de mais nada ampliar a consciência para estar sempre nos curando. Os desequilíbrios são constantes, os desafios cada vez maiores e mais intensos, a vida deixando as pessoas cada vez mais perplexas, para dizer o mínimo. Não dá para correr ao médico (ou a outro profissional de saúde) só quando estamos sentindo algum sintoma no físico, uma gastrite por exemplo. É possível ir se curando para não gerar a gastrite, apenas uma camada da cebola.
Como explicava o pai da Homeopatia, Samuel Hahnemann, somos como uma cebola. A cada cura só eliminamos uma pequena camada. Embaixo, existem outras, esperando serem curadas, na maioria das vezes no corpo emocional, os sapos engolidos e não digeridos. Viemos ao planeta para aprender e para nos curar permanentemente. Excesso de medos, por exemplo, provocam inúmeras doenças — dores lombares, gastrite, cistites, entre tantas outras.
Hoje, mais do que em qualquer outra época, devemos evoluir em consciência e começar a se equilibrar nos corpos mais sutis para que a intranqüilidade, a falta de paz, não se manifeste no físico, trazendo a “surpresa” de uma doença crônica. Não é surpresa e não existem vítimas. Somos, na maioria dos casos, co-responsáveis pelas nossas doenças. Vamos pedir ajuda antes — para conquistar saúde integral e longevidade com qualidade de vida.
Miguel Filliage
Naturista (CRT 32280), escritor, há quase 20 anos trabalha e é especialista em Medicina Clássica Taoísta e Tibetana, com pós graduação em Psicologia Transpessoal. Emails: miguel@clisf.com.br , miguelfilliage@cciencia.com.br
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